set/090
Software Livre
Hoje vou começar aqui um assunto que pouco é discutido nas escolas, nas empresas, nas rodas de amigos (excluindo raras exceções): Software Livre.
Para facilitar a compreensão vou contar os acontecimentos através de uma linha temporal.
De início, falar de Software Livre sem falar de seu pai é impossível. Richard Stallman foi o criador do conceito de Software Livre e também foi muito importante para sua disseminação.
Quando falamos que um software é Livre, queremos dizer que qualquer pessoa tem acesso a este código e geralmente está disponível para download no site do fornecedor, que e que existem leis e regras, que tornam isto legal.
O Começo
1981, Massachusetts Institute of Technology – MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).
Naquela época, uma das impressoras mais modernas era uma da XEROX que imprimia cerca de 1 página por minuto (acreditem, para 1981 isto era incrível!), mas mesmo sendo a impressora mais moderna da época ainda haviam problemas, pois o equipamento às vezes engasgava e simplesmente parava de imprimir, e por falha de software, o computador ao qual esta impressora estava ligada não recebia nenhum aviso. Sendo assim, Richard Stallman, um jovem que trabalhava neste instituto resolveu acabar com o problema e modificar o software da impressora. A XEROX não liberou o código fonte do software da impressora para Stallman. O mundo da tecnologia estava em transformação. Softwares passaram a fazer parte de um grande negócio. Softwares passaram a ter propriedade, passaram a ser regidos por leis de direitos autorais.
Eram os primeiros passos do software livre.
Em 1981 a Microsoft anuncia o desenvolvimento de um projeto chamado Interface Manager, que seria nada mais nada menos que uma interface gráfica para o sistema operacional da Microsoft na época (o MS-DOS). Este era o projeto que anos mais tarde seria lançado como Windows.
O Projeto GNU
Em 1984 Stallman inicia o Projeto GNU, que seria um sistema operacional totalmente livre, onde qualquer pessoa teria o direito de usar, distribuir e modificar, tanto o software quanto seu código fonte. Inicialmente o projeto era para ser totalmente compatível com o sistema operacional UNIX, porém Stallman não poderia utilizar o código fonte do mesmo.
Stallman batizou este sistema operacional como GNU, que é um acrônimo recursivo que significa Gnu’s Not Unix (em português: Gnu não é Unix), e logo ganhou como mascote a figura do simpático animal que leva o mesmo nome.
Em 1985 Stallman publica o Manifesto GNU (clique aqui para ler a publicação), que é uma explicação do que seria o Projeto GNU, e neste manifesto ele pede apoio para o desenvolvimento do projeto e é considerada por muitos como a maior fonte filosófica do Software Livre.
Free Software Foundation
Richard Stallman foi além do Projeto GNU e, ainda no ano de 1985, fundou a Free Software Foundation, uma organização sem fins lucrativos, que visava conscientizar pessoas e empresas sobre o uso, a cópia, a distribuição além das modificações dos sofwares, promovendo o desenvolvimento e a utilização de software livre em geral, e do próprio sistema operacional GNU.
Em 1985 a Microsoft lança o Windows 1.0, a primeira versão do “primeiro sistema operacional gráfico”, que viria a revolucionar a informática por completo com sua interatividade através do sistema de janelas, que por sua vez permitia a utilização de diversos softwares ao mesmo tempo, e também pela utilização do mouse.
Na verdade nessa idéia que é passada do Windows de “primeiro sistema operacional gráfico” existem duas controvérsias:
1. As primeiras versões do Windows não podiam ser chamadas de sistemas operacionais, eram apenas interfaces gráficas para o sistema MS-DOS.
2. A segunda controvérsia é uma história longa entre Bill Gates e Steve Jobs (fundador e atual CEO da Apple), que merece até uma busca pela história na internet.
GNU/GPL
Em 1989 Richard Stallman publicou a GPL (General Public Licence, ou Licença Pública Geral, em português) no âmbito do GNU e da Free Software Foundation, criando assim o conceito de Copyleft.
A GPL é uma licença que defende 4 princípios básicos, chamados de 4 liberdades. São elas:
- Liberdade nº 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito.
- Liberdade nº 1: A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades.
- Liberdade nº 2: A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo.
- Liberdade nº 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles.
Estes princípios garantem o direito do autor, porém o limitam, permitindo assim a liberdade total para uso, cópia, distribuição e aperfeiçoamentos.
A GPL está redigida em inglês e não existe nenhuma tradução original válida pela Free Software Foundation, que alega evitar que haja algum tipo de má interpretação na tradução da Licença. Deste modo, os distribuidores dos softwares devem incluir no diretório de seus programas uma cópia da GPL original em inglês, podendo também distribuir cópia da GPL traduzida para outro idioma, mas apenas em caráter informativo e não oficial.
A GPL era o respaldo legal que os desenvolvedores e usuários de softwares livre necessitavam.
Ao contrário do que muitos imaginam, a GPL não é a única norma legal que existe para defender a utilização de softwares livres. O navegador Mozilla Firefox, é um exemplo típico de Software Livre, programadores terceiros desenvolvem constantemente aplicativos que podem ser incorporados ao programa, chamados de Add-Ons ou Plugins, e não está licenciado sob a GNU/GPL.
É comum encontrarmos também pessoas que associam a palavra “Software Livre” à idéia de software gratuito, o que é errado. Segundo a GPL, um desenvolvedor de software pode criar um Software Livre e cobrar por ele, porém a própria norma determina que o código fonte seja distribuído junto com o programa, o que faz com que qualquer programador utilize o código para lançar versões similares ou melhoradas do software em questão, cobrando um valor menor ou distribuindo de forma gratuita. Como exemplo temos a distribuição GNU/Linux RedHat é um software gratuito, mas seu código fonte, por ser aberto, permite a criação de outras distribuições, como o gratuito Fedora (em outros artigos falaremos de GNU/Linux e de algumas de suas distribuições).
Outro erro constante é associar software livre apenas à programas. O conceito de Software Livre é para qualquer tipo de sistema programado, ou seja, não necessariamente um programa que você instala em seu computador. Podemos colocar como exemplo, sistemas online como o WordPress, sistema de auxílio na criação de Blogs e plataforma do meu blog. Estes sistemas online também são conhecidos como sistemas web-based ou softwares online (embora muitos não gostam de usar esta nomenclatura).
Além da GPL, a GNU possui também outras licenças, são elas: GNU/LGPL, GNU/AGPL e GNU/FDL, licença a qual a Wikipedia é regida atualmente.
Na prática, Software Livre (Free Software) e Software de Código Aberto (Open Source) são similares, porém há diferenças ideológicas praticadas pelos usuários de cada movimento. Prometo aprofundar o tema num artigo próprio, pois vale a pena.
A história continua
1990 – Richard Stallman e sua equipe haviam desenvolvido o kernel GNU Hurd, mas por problemas de design o desenvolvimento do kernel foi comprometido, atrasando assim sua utilização.
1991 – Em 1991 uma nova versão da GPL foi lançada, a GPLv2.
1994 – O kernel Hurd funciona pela primeira vez.
2005 – Stallman anuncia a nova versão da GPL.
2006 – O primeiro esboço da GPLv3 é publicada.
2007 – É publicada a versão final da GPLv3.
Saiba mais
GNU/GPLv3 (em inglês, publicação oficial)
GNU/GPLv2 (em inglês, publicação oficial)
GNU/GPLv1 (em inglês, publicação oficial)
GNU/GPLv2 (em português do Brasil, tradução não oficial)
GNU Licenses (Todas licenças GNU)
Free Software Foundation (site oficial)
Conheça Richard Stallman, o verdadeiro pai do software livre – por Peter Moon – Computer World
Livres de Bill Gates – por Marcelo Branco – Software Livre Brasil
GNU General Public Licence – wikipedia